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Uma história sobre a Seca de 1993 em Santa Terezinha.

Quando o flagelo da seca invadiu a Terrinha Santa em 1993 trazendo muito sofrimento e uma enorme mortalidade dentro do município, onde quase todo dia se morria gente, a população mais frágil padeceu com fome e sem trabalho.
Tornou-se comum as crianças filhos de pais sofredores passarem de porta em porta no começo da noite com um calderanzinho nas mãos, sem nada para comer, perguntando se não tinha sobrado uma coisinha de sopa ou um pedaço de pão para eles escaparem.
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O prefeito da época era o senhor Adeval Ferreira que fez o que pode parar amenizar a sede e a fome do povo. Criou o SOPÃO que aliviou o ronco dos estômagos vazios, 'mas pense numa sopa gostosa, viram!'.
Correu atrás de água em uma cidade bem próxima daqui, quando aqui já estava quase seco e torrado, mas parece prudente não citar o nome de tal cidade, porém conta os Terezinhenses bons de memória que Adeval foi até vaiado na câmara de vereadores de lá, porque queria que eles NÃO deixassem o povo de Santa Terezinha padecer de sede e permitissem que se tirasse água do açude de lá para aplacar nossa sede, o que foi negado.
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A coisa era difícil!!!
Siduca e Biroca de Água Branca-PB foi quem liberaram poços para quem pudesse pegar, ou tivesse em quer pegar, ou que pudesse pagar para ir tirar água de lá.
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A seca torando no meio e a calamidade no rosto das pessoas fez o governo intervir e retornar com a famosa EMERGÊNCIA, onde nossos pais de famílias eram cadastrados e partiam para trabalhar limpando os açudes do município na esperança das águas do céu voltarem. Saiam sedo de casa, com fome e sede, trabalhar no pesado para receber uma mixaria com medo da fome voraz que batia à porta.
Não dava para esperar muito, pois a mixaria demorava a sair e o danado do governo resolveu então mandar o exército com um caminhão de mantimentos. Lembro até quando o dito chegou na frente do mercado público com soldados mau encarados dando gritos no povo, sofrido, cabes baixo e que aceitava aquela humilhação para pegar um pouquinho de comida para a família e uma 'bandeja de ovo'.
Papelaria_Santa_AnaPor vezes teve distribuição em um local específico de um feijão preto, duro que só a gota. O bicho passava o dia no fogo, gastando carvão, lenha, ou gás e não amolecia. Nosso povo colocava bicarbonato de sódio junto com a água do feijão pra ver se o danado cozinhava - Ele se abria, mas ficava duro que só pedra, sem falar que deu uma desistiria (caganeira) no povo que quase lasca todo mundo.
Foi o ano também que o deputado Inocêncio Oliveira conseguiu com o DNOCS uma carreta com um tanque d'água imenso. Dizia o povo que a água vinha do Rio São Francisco para Santa Terezinha. 
Era um sofrimento por água. 
Um corre, corre de gente atrás da carreta buscando um tambozinho d'água e para aquela rapaziada que não gostava de tomar banho, era um prato cheio.
Hoje ainda escuto alguém dizer "bom era naquele tempo" - Na opinião singela desse editor - Era nada! - Até hoje ainda tenho as canelas finas de tanto correr atrás daquela carreta e carregar água em baldes, latas e galão.
Por fim, em 1994 São Pedro abriu as torneiras do céu e choveu com força em Santa Terezinha. 
Quem morreu, morreu, 
Quem escapou, escapou.
A seca destacada hoje é para lembrar o quanto o município é forte e vem sobrevivendo as tristes batalhas impostas pelas secas.



Gilson Pereira

Locutor e apresentador, Blogueiro, Funcionário Público e Acadêmico de Letras.Trabalho - Ocupação Identificador Civil e Criminal


10 “Uma história sobre a Seca de 1993 em Santa Terezinha.

    1. Lembro muito bem disso eu ia buscar a sopa

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    2. E meu amigo Gilson a vida era difícil lembro bem
      Mais agente com toda dificuldade se divertia sem medo de fica até tarde na rua

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    3. "A seca destacada hoje é para lembrar o quanto o município é forte e vem sobrevivendo as tristes batalhas impostas pelas secas."
      Hoje temos uma visão que nem todo o mal era a seca,e sim um descaso políco.

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    4. Lembro bem também, que as pessoas por falta de comida invadia o mercado público para pegar comida. E vi algumas vezes quebrar as portas do mercado e tirarem algumas coisas de dentro para poder comer.tristeza era os donos dos box que ficavam sem sua mercadoria pra vender igual dete de Geraldo que lembro bem. Momentos difíceis aqueles .

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    5. Eu lembro muito bem estávamos começando uma missão de pregar o evangelho nesse lugar,e quantas vezes ficava orando a Deus para multiplicar o nosso alimento,ja que tínhamos de alimentar muitas pessoas!eu chorava muito pedindo a Deus que não deixasse faltar de tudo,e milagrosamente quando estava se acabando,o nosso Deus nos supria!

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    6. Lembro muito bem Gilson ainda hoje sinto dor nas pernas de tanto balde de água que carreguei e comi tanto feijão duro, foi uma época difícil e triste aqui em Tuparetama não foi diferente da ir, hoje vivemos no céu em meio a tanta coisas difícil mais estamos melhor que naquela época.

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    7. Lembro muito bem eu meu pai e MINHA mãe vinhemos pra São Paulo e quando voltamos no final de 94 Deus como um pai de todos tinha resolvido o problema da nossa terrinha

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    8. Me recordo muito dessa época muito sofrida realmente. Foi o ano que disabei para Brasília ainda de menor idade. Mas Deus nunca nos abandonará, basta termos fé!

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    9. Nossa veio, lembro muito disso de cada coisa que vc citou ai é até hoje comento com a minha esposa, que é paulista e se comove SEMPRE que lembro desse sopão! Mas estamos vivos graças a Deus!

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