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Políticos entram no debate sobre episódios LGBT em Garanhuns.

Vereadores e deputados opinaram sobre os episódios polêmicos na 28ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns. André Ferreira (PSC) deu entrada em ação para suspender cachê do cantor Johnny Hooker.
Os novos desdobramentos envolvendo o cantor Johnny Hooker e sua controvertida apresentação (que aconteceu na última sexta-feira, 27, em Garanhuns) envolvem políticos de várias esferas, que surfam numa polêmica que dividiu as opiniões dos pernambucanos a menos de dois meses das eleições

Nesta quarta (01), dia em que todas as casas legislativas retomaram suas atividades após o recesso, o deputado estadual André Ferreira (PSC), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), anunciou que deu entrada numa ação, junto ao Ministério Público, para pedir a suspensão do pagamento do cachê do cantor. “Quando defendemos a nossa fé, somos tachados de fundamentalistas. Mas quando um artista chama Jesus de 'bicha', é arte. Isso é um absurdo”, criticou Ferreira, que solicitou à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) a cópia do contrato de Hooker.

André Ferreira disse que os atos de protesto de Johnny Hooker merecem repreensão. "Não é tolerável que o povo de Pernambuco pague para ser agredido", afirmou o deputado, acrescentando que o cantor deveria colocar as suas opiniões de modo privado. Ferreira também deu entrada numa representação por ato de improbidade administrativa contra o governo de Pernambuco, apontando que o mesmo "organizou, produziu, coordenou e custeou com recursos públicos, através da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, a 28ª Edição do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG)”. 

O deputado atacou a Secretaria de Cultura, dizendo que esta tentou politizar a discussão ao desferir críticas ao prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB), e disse que se o governador Paulo Câmara (PSB) não concorda com o que foi apresentando no festival, “pecou por omissão”.

O promotor Domingos Sávio Pereira Agra, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, informou que até o momento não recebeu nenhuma denúncia de André ou Michelle nesse sentido. "Se ingressarem aqui, nós iremos analisar com toda a serenidade e atenção. É preciso definir de quem seria a atribuição do processo, já que o fato aconteceu em Garanhuns e a sede da Fundarpe é no Recife. A ação pode ter entrado lá", explicou.

O promotor contou que recebeu denúncia nesse sentido do ex-vereador garanhuense Sivaldo Albino, aliado do prefeito Izaías Régis. Ele terá 30 dias para analisar o documento, que pede a suspensão dos cachês de Johnny Hooker e Daniela Mercury. Agra preferiu não detalhar sua opinião sobre o tema, mas adiantou que não tem conhecimento de nenhum caso semelhante em que o cachê de um artista tenha sido cancelado. 


Contactado através de sua assessoria de comunicação, o secretário de Cultura, Marcelino Granja, preferiu não se pronunciar. Já Johnny Hooker se encontrava no Rio de Janeiro. 
No Instagram, o cantor escreveu que "a arte obriga as pessoas a olharem para o próximo, a humanizar o próximo, a se identificar com o próximo", e que "esse é o maior medo dos religiosos fundamentalistas. Eles querem nos separar, mas através do poder infinito de transformação da arte e do amor permaneceremos unidos. Somos milhares de mães e irmãos e filhos, e se silenciam um de nós com violência e opressão, outros milhões se levantarão". "Seremos Jesus amando ao próximo como nós mesmos e ninguém vai poder querer nos dizer como amar", disse Hooker.

Na mesma manhã em que André Ferreira fez seu pronunciamento, a vereadora Michelle Collins (PP) também discursou na Câmara Municipal do Recife. O debate levou duas horas, com a participação de outros vereadores como Renato Antunes (PSC) e Ana Lúcia (PRB), que se aliaram a Michelle nas críticas contra Hooker e contra a peça "O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu" (estrelada pela atriz transexual Renata Carvalho).

“A liberdade de expressão é um dos mais importantes direitos consagrados na nossa Constituição. Porém, essa liberdade não pode confrontar o sentimento religioso", atacou Michelle. Ela disse que a peça fere o sentimento religioso cristão de cerca de 90% da população pernambucana e fez duras críticas à Fundarpe, afirmando que a nota oficial em que a instituição pede desculpa aos cristãos "não ficou a contento” e pedindo a substituição de Marcelino Granja.

Michelle defendeu a suspensão do cachê dos artistas que protestaram durante o FIG e pediu que o Ministério Público se posicione. "Quando houve um episódio na minha rede social, eles foram rápidos [em fevereiro, ela fez uma postagem em que dizia estar orando para "quebrar a maldição de Iemanjá"]. Mas num caso como esse, que está rodando o país inteiro, não fizeram nada. Eles precisam se pronunciar”, criticou.

O vereador Jayme Asfora (PROS) declarou que a peça teatral estimula a reflexão sobre os direitos da minoria. “Quem viu o espetáculo ou leu o livro, sabe que as obras tratam do princípio que deveria unir todos nós, cristãos, que é amar ao próximo como a si mesmo”, destacou. Ele também defendeu a cantora Daniela Mercury, por sua coragem em assumir sua orientação sexual e pela defesa dos direitos do público LGBT. "Quem pode condenar uma pessoa por ser homossexual, quando nem Jesus condenou? O cristianismo não distingue, Jesus não distinguiu”, pontuou.

Ivan Moraes (PSOL), que foi o único dos vereadores que esteve em Garanhuns nas duas sessões da peça, explicou que o espetáculo não traz nenhum confronto em relação aos ensinamentos de Jesus. "As pessoas têm liberdade para debater a religião, seja para exaltá-la ou para criticar comportamentos, assim como fez Jesus Cristo. É importante saber do que estamos falando. As pessoas estão com suas opiniões formadas, mas as convido a assistir para que deem suas opiniões baseadas em fatos”, disse Ivan.

Ele afirmou ainda que a comunidade cristã tem toda a legitimidade de assistir ou não à peça e dar sua opinião. "Repudio toda e qualquer tentativa de se obter ganhos políticos com a censura. Não podemos mais usar da religiosidade legítima das pessoas para fins eleitorais”, destacou. 
CNCDa Folha de Pernambuco.



Gilson Pereira

Locutor e apresentador, Blogueiro, Funcionário Público e Acadêmico de Letras.Trabalho - Ocupação Identificador Civil e Criminal


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